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sexta-feira, 22 de junho de 2012

Escuridão que ilumina!

Há quem passe assim seus dias, como almas-buraco-negro. Absorvem tudo que tocam, se adensam e se vão. Seguem em frente cumprindo o desígnio a que se propõem todos os dias ao se levantarem de seus féretros. Percebem ou não o desastre ao redor de si, a antropofagia que os nutre, os há dos dois jeitos. Bem o sei. De um ou de outro jeito, é inefável seu destino: destruição por todo lado que olharem, aridez, ausência de recurso no final. Qual será o fim de um buraco negro? Uma imensa explosão? Um mísero “puf”? O não-som? Não arrisco.


Esta imagem veio daqui
Não é com amargura que me vem essa reflexão. É com a alma iluminada por tons e cores de vida. Toda vida é mestra. Grata por ter estado em face e em frente, por conhecer lados e vertentes desafiadores. Por resvalar, ora no abismo, ora no limbo. E por sempre deles escapar. Certeza de agregar percepção, de desistir de olhar para a escuridão procurando luz. A cor ao meu redor existe, reconheço. O movimento é para frente, com os braços abertos, e jorram cores em jatos iluminados, em fios que brilham enlaçando e costurando alianças que libertam.

Sereno que cai. Não saia no sereno, menina. Agasalhe-se e cubra os pensamentos, leve-os bem acolhidos e aconchegados. Daqui a pouco será dia de novo, e nessa hora verá outros braços recheados de sons e cores que junto das suas serão jardim. Serena.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Dia, noite, dema

Dos 19 anos vividos por aqui, 17 foram dedicados a este lugar. Mais ou menos 10 horas por dia útil, um pouco menos de um terço da vida neste tempo. Bom, se contar as noites de insônia que este vínculo me causou, mais o tempo gasto com sonhos e pesadelos, somamos aí um pouco mais ...
A nova escultura na entrada principal da cidade exprime de forma absolutamente concreta a essência do território-espaço, território-gente, território-trabalho. Basta olhá-la com os olhos abertos para o que é essencial e ... vupt! entende-se tudo... ou deixa-se de entender. Eis o paradoxo do meu cotidiano: paixão pela garra deles, tantas vezes determinante da minha onipresente sensação de pequena vida oprimida na metrópole...