sábado, 31 de dezembro de 2011

Brindando a mim e a você, por mais um dia que vai nascer!



Esta é uma das canções da minha vida... uma daquelas que, como diz Milton Nascimento, "cabem tão dentro de mim, que perguntar carece: como não fui eu que fiz?" Deixo-a aqui, nesta hora propícia.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Em se plantando, tudo dá.

Muitos meses atrás, quando apresentei a mim mesma esta ferramenta, pensava em usá-la para retornar a uma prática acalentada na adolescência e no início da vida adulta: a escrita do diário. Embora já tivesse experimentado escrever memórias frescas e minha autobiografia aos nove anos (!), foi por volta dos 14, incentivada pelo Pe. Cabada, que comecei a desenvolver o gosto pela coisa.

Nem tão diárias assim, minhas lembranças do dia iam sendo registradas na medida em que fatos marcantes tocavam-me a alma, com ou sem dor, e desencadeavam a costumeira avalanche de sentimentos desenfreados que desaguavam legal no papel. Irmãos mais afoitos desses textos, vinham também poemas que, sem paciência de esperar chegar em casa para o registro organizado, acabavam escritos em qualquer folha de papel. Os que não se perderam por aí, restam guardados em uma pasta, aguardando serem trazidos para cá.

Enfim, escrevia muito, mas um dia parei. E o fato de ter uma nova ferramenta para publicar os pensamentos não foi suficiente para trazer de volta essa fluência da escrita, tão instrumental para a garota que não tinha muita capacidade de se expressar oralmente. Não é que não fosse falante, rss, quem me conhece sabe que costurar meus lábios equivaleria a me matar. Ainda estou mergulhando nisso, que não sei ao certo o que é, mas que me calou as mãos por anos a fio, e que parece estar se despedindo de vez. Aliás, se eu demorar muito a descobrir o que foi, nem vai dar tempo de saber.

Mas se não descobrir, tanto faz. Eu voltei. A semente foi lançada.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Contra o fechamento do Curso de Obstetrícia da USP Leste



Nós, da Parto do Princípio, vimos por meio desta manifestar o nosso pleno apoio às ações pela manutenção do Curso de Obstetrícia da USP Leste.
A Parto do Princípio é uma rede de mulheres, consumidoras e usuárias do sistema de saúde, que oferece informações sobre gestação e parto baseadas em evidências científicas e recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS).
Contamos hoje com mais de 200 pessoas trabalhando voluntariamente, em 21 Estados do Brasil, na divulgação dos benefícios do parto ativo e dos riscos de cesarianas desnecessárias.
Acreditamos que a mulher deve ser a protagonista de sua história e, assim, deve ter poder de decisão sobre seu corpo e liberdade de movimentos e de escolhas para dar à luz. Para tanto, no pré-natal, no parto e no pós-parto, a mulher precisa estar acompanhada por profissionais que, acima de tudo, estejam comprometidos com a fisiologia do nascimento e que respeitem a gestação, o parto e a amamentação como processos naturais e instintivos. Nesse sentido, foi com muita alegria que em 2005 acompanhamos a abertura do curso de Obstetrícia na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), no campus da Universidade de São Paulo conhecido como USP Leste.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a obstetriz com formação de nível superior representa boa estratégia para promover atenção adequada ao parto e nascimento. Essa profissional é capacitada para prestar assistência a gestações e partos de baixo risco e é bastante solicitada em muitos países desenvolvidos. No Brasil, seu papel é ainda mais relevante, diante das elevadas taxas de morbi-mortalidade materna e neonatal. Cabe lembrar que, a despeito dos avanços realizados na área da saúde, tanto o Estado de São Paulo como o país estão muito distantes de alcançar o Objetivo do Desenvolvimento do Milênio de número cinco, relativo à melhoria da saúde materna.
Extinguir o curso de Obstetrícia é um retrocesso e constitui desrespeito a toda a sociedade, na medida em que representa a manutenção do atual sistema de assistência, que apresenta elevada cobertura hospitalar, porém, resultados perinatais insatisfatórios.
Esperávamos que o Grupo de Trabalho para “Estudo das Potencialidades, Revisão e Remanejamento de Vagas nos Cursos de Graduação da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP” considerasse as evidências científicas sobre o parto e o nascimento e as experiências de outros países com bons indicadores de saúde materno-infantil. Contudo, cientes do conteúdo do relatório final do Grupo de Trabalho, observamos que os “problemas” apontados (destacados a seguir) não se sustentam.

“[...] problemas com os quais o curso convive e que impactam fortemente seu funcionamento”:

“O excesso de cesarianas que atingem principalmente os hospitais que compõem o sistema de saúde suplementar (considerados hospitais privados), onde em alguns deles as taxas de cesáreas atingem valores da ordem de 97%, indicador considerado ruim, pela OMS;”
• “A capacitação dos profissionais médicos para a realização de cesariana em detrimento de parto normal devido a múltiplos fatores (culturais, organizacionais, de qualidade de vida do profissional, econômica e outras);”

A OMS recomenda que os partos cesarianos não ultrapassem 15% dos nascimentos. Assim, se os hospitais privados exibem valores da ordem de 97% de cesáreas, trata-se de um dado alarmante, que demanda intervenção imediata. A formação médica focada na cesariana torna o quadro ainda mais preocupante. Diante disso, seria apropriado que as políticas públicas favorecessem e promovessem a atuação de profissionais aptos a prestar assistência adequada ao parto normal.

A lógica cultural vigente, adquirida pela população nas últimas décadas, a favor da cesariana, pois existe a crença que este procedimento oferece maior segurança. A mudança desta lógica necessitará de muito tempo e intervenções adequadas;

Diante da crença infundada de que a cesariana oferece maior segurança, seria adequado formar mais profissionais aptos a desmistificar o senso comum. Vale lembrar que a “lógica cultural vigente” é construída e realimentada diariamente com base nas experiências pessoais. Assim, para modificar tal “lógica cultural”, é preciso oferecer experiências diversas das que são possíveis atualmente.

A dificuldade de capacitação dos profissionais envolvidos com esta área devido à queda da natalidade;

Apesar da queda da natalidade, o modelo intervencionista vigente na assistência ao parto continua agredindo a saúde de mães e bebês. Ainda faltam profissionais capacitados para a assistência adequada ao parto normal. De acordo com o relatório de fevereiro de 2011 da Fundação Seade, um terço dos óbitos perinatais ocorridos em 2009 no Estado de São Paulo foi classificado como mortes reduzíveis com adequada atenção ao parto, 15,7% como mortes reduzíveis com adequado controle na gravidez, 14,2% como mortes reduzíveis com diagnóstico e tratamento precoces. Diante desse cenário, profissionais formados pelo curso de Obstetrícia têm papel fundamental e urgente não só no Estado de São Paulo, como em todo o país.

A “judicialização” da medicina onde, se algo não desejável acontecer no momento do parto, o questionamento dos familiares envolvidos é sempre com relação ao porque a não indicação de cesariana e a busca por ações judiciais para responsabilização dos profissionais e instituições envolvidos.

A solução para a judicialização da medicina não reside na extinção de uma carreira acadêmica. Entendemos que todo profissional de saúde deve garantir a segurança das pessoas que atende e, para tanto, suas práticas devem estar embasadas nas melhores evidências científicas disponíveis. Além disso, consideramos que todo profissional de saúde deve ser capacitado para dialogar e ouvir as demandas das pessoas que atende. No caso da assistência ao parto, é urgente que se estabeleça tal relação dialógica, em que a mulher e seu acompanhante recebam informações claras e acessíveis a respeito do ciclo gravídico-puerperal. Para os casos em que intervenções médicas sejam necessárias, a mulher e seu acompanhante devem igualmente receber informações claras sobre a natureza do procedimento e devem emitir seu consentimento livremente.

Sobre a aceitação dos alunos egressos pelos Conselhos de Enfermagem, existem decisões judiciais sobre essa questão. Não cabe ao COREN, COFEN, ou USP o posicionamento contra tais decisões. Tais entidades tampouco podem se recusar a acatar decisões da Justiça Brasileira.
Diante de todo o exposto, resta lamentar a falta de critério do Grupo de Trabalho, que redigiu seu relatório com base no senso comum e ignorou evidências científicas, experiências bem-sucedidas no exterior, recomendações da OMS, relatórios demográficos do Estado de São Paulo e o compromisso social da universidade.

A sociedade brasileira necessita urgentemente de melhorias na assistência à saúde materna, no sentido da humanização do parto e nascimento. Entendemos que as profissionais formadas no curso de Obstetrícia da USP Leste representam boa parte dessa demanda por melhorias. Deixamos aqui nosso apoio à continuidade do Curso de Obstetrícia da USP Leste, assim como de seu vestibular anual, com esperanças de que em pouco tempo essa seja também uma realidade de muitas universidades públicas e privadas de nosso país.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Carta Aberta a Alexandre Garcia

Considerações sobre a "bobagem" do Parto Humanizado
Quem está brincando com a saúde?


Caro Sr. Alexandre Garcia,


Somos mulheres ativistas da Rede Parto do Princípio, uma rede nacional, com mais de 100 mulheres por todo o Brasil, que luta para que toda mulher possa ter uma maternidade consciente e ativa através de informação adequada e embasada cientificamente sobre gestação, parto e nascimento.

É com profundo pesar que recebemos em pleno dia das mães uma fala cheia de preconceitos sobre a maternidade em um veículo de comunicação pública.


Diante de sua fala, nota-se o profundo desconhecimento das políticas de controle de infecção hospitalar, como também da legislação que garante a toda mulher o direito à presença de um acompanhante de sua livre escolha no pré-parto, parto e pós-parto imediato. Não é só uma "bobagem" do Ministério da Saúde. É lei (Lei Federal n° 11.108 de 2005). Uma lei que vem sendo sumariamente descumprida por todo o país.



Transcrição realizada a partir do áudio disponível em:
http://cbn.globoradio.globo.com/colunas/mais-brasilia/MAIS-BRASILIA.htm

"[...] eu tô criticando essa bobagem do Ministério da Saúde de parto humanizado... será que vão deixar entrar um pai na sala cirúrgica pra infectar a sala cirúrgica? O pai barbudo, cabeludo, bêbado, sei lá o quê, mas enfim... hã... vestido com... com poeira da rua numa sala cirúrgica? Isso é um absurdo. Ah, mas é o parto de cócoras... tudo bem, peça para sua mulher fazer um parto de cócoras pra ver o que vai acontecer com o joelhos dela, não é índia, nã... vão... vão acabar... É um sofrimento. Ah, porque as cesárias... eu disse olha... que ele mesmo concorda que o... o serviço público as cesárias só é feita [sic] em último caso... é parto normal normalmente... não precisa ficar anunciando que o hospital do Gama vai ter isso [...]"


Existem normas de controle de infecção hospitalar que devem ser cumpridas por toda a equipe de saúde, pelos pacientes e por seus acompanhantes. Independente se são "cabeludos", "carecas" ou "barbudos". Seguidas essas normas, não há porque restringir o acesso do acompanhante. O direito da mulher não pode ser violado a partir de discriminação, de preconceito.



Várias pesquisas comprovaram que a presença do acompanhante no parto proporciona uma série de benefícios como: maior sentimento de confiança, aumento no índice de amamentação, diminuição do tempo de trabalho de parto, menor necessidade de parto cirúrgico, menor necessidade de medicação, menor necessidade de analgesia, menores índices de escores de Apgar abaixo de 7, menor necessidade de parto instrumental, menores taxas de dor, pânico e exaustão, entre vários outros benefícios. Diante desses indícios, a Organização Mundial de Saúde (OMS) preconiza, desde 1996, a presença de um acompanhante para a parturiente.

E isso não é bobagem. São pesquisas científicas.


Hoje, existe a possibilidade da mulher escolher a melhor posição para o parto. De posse de evidências científicas, muitos profissionais não mais recomendam uma única posição, mas permitem que a mulher encontre a posição mais confortável para dar à luz. Para a posição de "cócoras", que é como são chamadas algumas posições verticalizadas, existem apoios e banquetas. Há também muitas mulheres que conseguem ficar de cócoras sem comprometer os joelhos, mesmo as não-indígenas.

"[...] O ministério da saúde não fez só isso não. O Ministério da Saúde tá estimulando agora pessoa com HIV a engravidar. Eu duvido que o Ministério da Saúde vá fazer uma... uma cesária pela terceira vez numa mulher com HIV e respingar sangue nele pra ver o que vai acontecer. É uma... é uma maluquice. Tão fazendo uma brincadeira com a saúde... Tá lá escrito na instituição a saúde é direito de todos e dever do Estado. O Estado não está cumprindo seus deveres com a saúde... e os problemas são de gestão, são administrativos.[...]"

Atualmente, diante de assistência médica adequada, nós mulheres podemos ter uma gestação e um parto mais seguros tanto para nós, quanto para os bebês. Inclusive as mulheres HIV positivas. Existem protocolos, embasados cientificamente, para os atendimentos às soro-positivas que evitam a transmissão vertical do HIV. Todos nós temos direito à reprodução. Existem também protocolos de rotinas que protegem a equipe de saúde para que não tenham contato com sangue ou secreções; e de providências caso haja algum acidente. E isso não é maluquice. É biossegurança.


E se o Estado está tomando providências para que o pai mais "barbudo" possa acompanhar sua esposa no nascimento de seu filho, e para que pessoas como eu, como os soro positivos e até como você possam ter fihos e netos em segurança, isso não é "bobagem", isso é dever do Estado.


Mas se o senhor ainda tiver críticas à "bobagem" do Parto Humanizado ou aos partos das mulheres soro positivas, por favor, embase suas considerações com argumentos fundamentados cientificamente. Porque disparar informações incorretas em meios de comunicação pública é anti-ético e um descalabro. E é vergonhoso.


Estamos à disposição para quaisquer esclarecimentos.

Rede de Mulheres Parto do Princípio
www.partodoprincipio.com.br

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Mães de muitos!

Às parteiras, no seu dia, já no fim!